terça-feira, 10 de março de 2020

Caixa de Pandora


Antes de você vir, trabalhei tanto pra tentar abrir minha Caixa de Pandora, para abrir a porta trancada dentro de mim. Tentava, tentava, mas só conseguia breves olhadas pelo tranco, pela fechadura.
Quando você nasceu senti que algo quebrou em mim. De repente, a porta escancarou! A Caixa de Pandora explodiu em mim! Meus maiores medos, fraquezas, defeitos, a solidão, o desamparo, a paralisia, o terror, o terror! Eu não queria tanto ver o que havia na Caixa, atrás da porta? Toma! Tudo de uma vez! Um tsunami, um tornado, um arrebatamento. Mergulhei mais fundo do que nunca. Fui tacada no fundo do mar, no fundo da terra. Fui jogada dentro do meu próprio núcleo. Me afoguei, me sufoquei. Sozinha, abandonada, rejeitada. Eu fui bebê.
Agora contemplo a porta, a Caixa aberta. Medo ainda, mas também experiência e sabedoria. Há muito poder aqui dentro. No fim, você foi a chave que me trouxe até aqui. Obrigada.

Leoa


Foi pra isso que desejei tanto ter um filho. Sempre quis saber como era era amor tão singular, tão profundo e inxeplicável.
Quando você nasceu eu confesso que não entendi onde estava esse amor todo que todo mundo dizia. Sentia por você muito carinho, mas muito estranhamento também. Eu já tinha lido que isso era normal, mas ficava me perguntando se um dia o amor ia crescer.
Puta merda, Eduardo, como esse amor cresceu! Agora começo a sentir o delírio desse amor. É uma coisa louca e muito primitiva, instintiva e bruta. Um amor tão grande que dói. Dói no peito sentir. Enche os olhos de lágrimas.
É um amor selvagem. Nada pode com a fúria da leoa protegendo a cria. Você fez saltarem minhas garras, meus caninos, meus rugidos. Você me fez leoa.